20 de junho de 2017

Resenha: Precisamos Falar Sobre o Kevin - Lionel Shriver


Reprodução: Google

Precisamos Falar Sobre o Kevin
Autora: Lionel Shriver
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Minha classificação: 
(5/5+favorito)
Kevin é um adolescente que está prestes a completar 16 anos, porém, três dias antes de seu aniversário ele decide matar oito colegas de classe, uma professora e um funcionário da escola. Após ser preso por esse ato, a sua mãe Eva Khatchadourian através de uma narrativa em primeira pessoa nos conta sobre a vida e convivência da sua família, desde a sua decisão em ser mãe pela primeira vez até o momento em que seu filho mais velho ficou conhecido como um sociopata.

Eva nunca quis ser mãe. Dona de uma empresa especializada em folhetos que buscavam divulgar os restaurantes e as hospedagens mais baratas ao redor do mundo, Eva era quem viajava para todos os países atrás de informações para o seu trabalho. Suas viagens pelo mundo e o marido Franklin eram o que havia de mais importante em sua vida, e só isso bastava para se sentir completa e feliz.

Porém, Franklin queria ser pai, e imaginava que com um filho em casa faria com que Eva desistisse de suas viagens e se dedicasse exclusivamente a família. Mesmo depois de muito relutar, ela acaba por concordar com a ideia de ser mãe e imagina que isso fará com que o marido não a abandone nunca, então fica grávida de seu primogênito, o complicado Kevin.

Kevin desde pequeno nunca se relacionou bem com a mãe, ao contrário de sua relação com o pai que sempre foi carinhosa e calorosa. Os dois não suportavam a presença um do outro e quase nunca conseguiam ter uma conversa onde Kevin não rebaixasse a mãe ou destorcesse suas palavras. Era como se Kevin pressentisse desde quando estava na barriga de que não era bem vindo para Eva. A relação entre mãe e filho ficava mais conturbada ao passo de que o menino ia crescendo e se tornando quase um homem.

Depois de alguns anos, Eva e Franklin acabam tendo um segundo filho, a pequena Celia, uma garota adorável e que nutre uma relação de muito afeto com a mãe. Um tipo de "experimento" que Eva faz para ter a certeza de que Kevin é diferente das demais crianças. Tanto antes como depois do nascimento de Celia, ocorrem acontecimentos desastrosos e trágicos, no qual o Kevin é visto como o culpado de todos aos olhos da mãe. Fica ao critério dos leitores decidirem se realmente foi culpa do Kevin ou apenas uma forma de implicância da parte de Eva.

A narração é em primeira pessoa e feita por Eva, que conta com detalhes cada etapa da vida do Kevin, desde o nascimento até o presente momento, no qual ele se encontra preso e prestes a completar 18 anos. A história é pesada, lenta e bastante descritiva. Se você já é mãe, vai sentir ainda mais o impacto das palavras de Eva, e digo isso de uma forma não tão positiva. A personagem deixa claro em todos os momentos que o filho não foi desejado por ela, e que por isso acaba por ver em Kevin todos os defeitos que talvez ele nem tenha.

Minha opinião
Que livro é esse, minha gente? Ufa! Quando terminei a leitura estava sem fôlego, sem reação, apenas querendo deitar no chão e chorar sem parar. Eu já havia assistido ao filme uns anos antes, mas não lembrava daquele final, e nossa, me impactou de uma maneira tão extrema que eu me senti mal até chegar na última página.
Uma história que divide tantas opiniões sobre a mente psicótica do Kevin, que acabei me enchendo de teorias. Será mesmo que o Kevin já nasceu com uma mente sociopata ou será que a mãe dele é a principal razão para isso? Seu pensamento psicopata resultou de uma mãe fria, desatenciosa e que dizia para ele desde que estava na barriga de que ele não era bem vindo por ela? A minha opinião é a seguinte (e pode ser diferente da sua): para mim, o Kevin já sentia quando estava na barriga que a mãe não queria tê-lo, e que aquele processo de gravidez era como algo obrigatório para ela, algo que não trazia felicidade e muito menos paz. Ao meu ver, o Kevin cresceu sem o amor da mãe e isso fez com que ele desenvolvesse uma mente fria e solitária. Queria deixar claro que não sou psicologa e nem faço esse curso, e muito menos entendo de mente humana ou serial killers, porém essa é a minha visão, e esses sentimentos da Eva só me deixaram mais insegura em relação a maternidade, e direi o porquê.
Eu tenho os mesmos pensamentos que a Eva tinha antes de engravidar pela primeira vez. Eu tenho medo de ter um bebê e não conseguir passar todo o carinho e amor que ele irá precisar. Quando eu digo que não gosto de crianças sempre tem alguém para dizer que esse meu pensamento irá mudar quando eu tiver a minha, e isso era o que a própria Eva escutava. Ser responsável por alguém, um ser tão pequeno e indefeso, eu me sinto tão insegura quanto a Eva se sentia. E assim como ela, eu também tenho medo de chegar a hora do nascimento e eu não sentir aquele grande amor que todos falam. Esses sentimentos me deixaram mais conectada com a história e me fizeram entrar de cabeça nos personagens. Eu me senti na pele da Eva e muitas vezes eu me colocava no seu lugar: e se isso fosse comigo?
Por mais que eu ache que essa falta de amor materno tenha influenciado o pessoal do Kevin, não acredito que a mãe tivesse alguma culpa no assassinato do filho. Afinal, como uma personagem diz em uma determinada parte da história, sempre culpam a mãe pelo ato do filho, nunca lembram que por trás de uma criança também existe um pai, e que nenhum dos dois é propriamente culpado pelas ações dos filhos. Foi algo também que tocou no meu interior e me fez refletir sobre certos pensamentos que eu nutria.
Provavelmente eu poderia falar sobre esse livro por horas a fio, mas vou me policiar a não descrever cada sentimento que tive durante a leitura, pois se não esse post irá se estender mais do que o habitual. Quero dizer que eu gostei muito da leitura, tanto que virou favorito, e que deixo-a como indicação para todos que gostam de um ótimo drama psicológico e de histórias mais profundas. Talvez não mude a sua opinião sobre determinado assunto ou não te toque como me tocou, mas acredito que fará a diferença entre as suas leituras, e que você jamais se esquecerá do Kevin.

Deixo também a adaptação como recomendação, tanto para aqueles que já leram o livro como também para aqueles que preferem se aventurar nas telas. Ezra Miller, assim como os atores miris, está ótimo no papel de Kevin e transmiti perfeitamente o olhar frio de sociopata do personagem. Tilda Swinton, uma das minhas atrizes preferidas, está maravilhosa como Eva, nos passando todo o sofrimento e agonia de uma mãe, tanto fisicamente como também mentalmente. É um filme espetacular, que mesmo tendo os seus defeitos (pois, assim como outras adaptações, "corta" algumas partes essenciais do livro) se ressalta através da sua fotografia e atuações.

3 comentários

  1. Acredita que eu nunca li? Assisti e só consegui sentir revolta com a mãe dele, isso sim. Porém a história é perfeita para refletirmos a respeito. Eu ainda quero dar uma chance para a leitura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poxa, por que sentiu revoltada da Eva? Admito que ela pode ser irritante em alguns momentos, principalmente pela maneira que tratou o Kevin, mas, seria algo além disso?

      Excluir
  2. Eu acho que se ler vou achar a Eva muito implicante e culpada pelo jeito que o filho é. auahu Se não queria ter um filho porque aceitou? E ainda tem outra filha depois pra aceita-la mas continuar destratando o primeiro? uahuahuahau Enfim, não li nem vi, mas vou tentar ver para tentar pegar um gostinho para ver se vou querer pegar o livro.

    Bites!
    Tary Belmont

    ResponderExcluir