7 de abril de 2017

#12mesesdePoe: Eleonora + Annabel Lee


Reprodução: Google


Eleonora
Minha classificação: ★★★★ (4/5)

Annabel Lee
Minha classificação: ★★★★ (4/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto: Eleonora
A narração se inicia com o narrador-personagem, que não se identifica, dizendo que é louco, e caberá a nós acreditar ou não em sua versão dessa história. Ele divide sua narrativa em dois tempos: o primeiro, que diz ser completamente real, onde conta sobre a sua história de amor com a prima Eleonora, o seu grande amor; e o segundo, que diz ser real ou não e isso a gente julgará, onde é exposto a sua vida após a morte de Eleonora e a tentativa de cumprir a promessa que fez à amada.

No primeiro momento conhecemos sobre a sua infância, a sua criação e relação com prima, e sobre a doença fatal da mesma. O narrador descreve a amada relacionando a beleza dela com a da paisagem que os cerca, mas sempre exaltando a da moça. Antes de falecer, Eleonora pede que o amado faça uma promessa, para assim ele nunca se esquecer de seu amor por ela. E ele faz. Então, no segundo momento temos o narrador convivendo com essa promessa e o seu destino ao quebrá-la.

Edgar Allan Poe consegue passar através desse conto uma grande melancolia e tristeza, mas de uma forma grandiosa e bela. Há uma grande relação de amor e afeto entre o narrador e sua prima, um carinho recíproco, e isso é visível em todo o momento ao longo da história, principalmente naqueles em que ele enaltece a beleza da amada. O final do conto é surpreendente e, com toda a certeza, te deixará com muitas "pulgas" atrás da orelha, pois é aberto a muitas interpretações.

Poema: Annabel Lee
Neste poema o eu-lírico vai contar sobre o seu amor por uma mulher chamada Annabel Lee. Ele irá descrever a paixão entre os dois desde a infância até a morte da amada, e tendo um amor tão grande pela moça ele conclui compartilhando conosco que visita todos os dias o túmulo do seu amor.

Esse poema se completa perfeitamente com a leitura do conto, ou seja, as duas leituras do mês de março se complementaram. O Poe também usa de uma melancolia e beleza sincera nesse poema, fazendo suas palavras tocarem no nosso mais profundo íntimo e nos sentirmos conectados ao amor do casal. O poema é belo e mostra, mais uma vez, sobre a perda da mulher amada.
"Mas nosso amor era mais forte que o amor
daqueles mais antigos
daqueles mais sábios -
e nem os anjos lá nos Céus
nem os demônios no mar,
Não podem mesmo minha alma
da bela Annabel Lee afastar."
Minha opinião
Sobre o conto:
Até o momento esta foi a minha leitura preferida do projeto durante o ano, pois nesse conto o Poe conseguiu me tocar profundamente e me deixar triste e feliz ao mesmo tempo. É uma sensação difícil de explicar, mas ao final da leitura eu estava me sentindo bem, algo que não acontece com a maioria das histórias do Poe, que geralmente fico apavorada ou agoniada.
Cada um pode ter a sua visão do conto e do amor entre o narrador e a prima, e acredito que essa foi uma das coisas que mais me fisgaram nesse conto, essa pluralidade de teorias que irá se encaixar diferente em cada mente. Sigo cada vez mais com a certeza de que Edgar Allan Poe é um mestre no que faz (escreve), e que é um dos autores que quanto mais leio mais tenho vontade de explorar as suas histórias. Um conto curto, mas que passa muitas sensações ao leitor.

ALERTA: Eu não posso dividir as minhas teorias sobre o conto sem dar spoilers do final, então já comunico aqui que as próximas linhas terão informações cruciais do desfecho final do conto. Então, caso você não tenha lido ainda e não queira quebrar a surpresa, sugiro não ler o próximo parágrafo.

Depois de finalizar a leitura, a única coisa que passou pela minha cabeça foi que Ermengarda, a mulher por quem o narrador se apaixonou depois da morte de Eleonora, era uma ilusão da mente dele. Que projetando aquela mulher, seria como uma maneira de enfrentar a dor que a morte da prima lhe causou. Isso foi o que imediatamente veio na minha cabeça. Porém, ao ler as teorias e conclusões das outras moças que participaram da discussão no grupo do projeto eu tive muitos outros pensamentos. Por exemplo, quando comentaram sobre a voz, que fala para o narrador que ele está perdoado por amar outra, ser na verdade a morte vindo buscá-lo. Isto também fez total sentido para mim, e fez com que eu remoesse essa teoria por uns bons longos minutos.

Sobre o poema:
O poema escolhido para março também ganhou o meu coração e se tornou o meu preferido até o momento. Com um tom de beleza indescritível, o eu-lírico passa uma grande melancolia ao falar sobre a amada, e o leitor acaba se sentindo parte desse eu-lírico, como se estivesse na própria pele do homem.
A escrita do Poe nesse poema é de uma leveza impressionante, e querendo ou não você acaba por se envolver na tal história e se emocionar. Foi uma leitura rápida, mas que deixou uma grande impressão em mim. Está sendo maravilhoso conhecer os poemas do Poe, e indico a leitura para quem também tem vontade de conhecê-los e/ou adora um poema.

Participe do projeto conosco: 

2 comentários

  1. Confesso que não muito fã de poesia, mas adoro Edgar Allan Poe e sou fascinado pelos seus contos :)

    Bitaites de um Madeirense

    ResponderExcluir
  2. Assim como o Paulo, não sou muito fã de poesias... Não conhecia Edgar Allan Poe, mas vou procurar saber mais sobre seus trabalhos.
    Bjus

    MEU BLOG: Garota Mutável

    ResponderExcluir