24 de março de 2017

Resenha: "Um Teto Todo Seu" - Virginia Woolf


Reprodução: Google


Um Teto Todo Seu
Autora: Virginia Woolf
Editora: Tordesilhas
Ano: 2014
Minha classificação: ★★★★ (4/5)
No ano 1928, as faculdades Newham e Girton, que eram exclusivamente para garotas, pediram para Virginia Woolf dar uma palestra com o tema "As mulheres e a ficção". Para realizar este pedido, Woolf criou uma narração fictícia, porém com temas e citações reais, e através de sua personagem denominada Mary Seton a autora explora as dificuldades e batalhas que as mulheres do século XIX (e dos séculos anteriores) enfrentaram para ingressar na escrita. A maior parte do livro pode até ser narrada por uma personagem fictícia, mas a história contada através dela é mais do que real e ainda muito frequente no mercado literário atual.
"(...) é bastante evidente que mesmo no século XIX uma mulher não era encorajada a ser artista. Pelo contrário, era desprezada, estapeada, repreendida e aconselhada. Sua mente deve ter-se exaurido, e sua força vital ter diminuído pela necessidade de se opor a isso e desaprovar aquilo. Então aqui nos deparamos com um complexo masculino obscuro e muito interessante, que teve bastante influência nos movimentos femininos; aquele desejo inveterado nem tanto de que ela seja inferior quanto de que ele seja superior, que o coloca onde quer que se olhe, não apenas diante das artes, mas também bloqueando o caminho para a política, mesmo quando o risco para ele parece ínfimo, e o requerente, humilde e devotado."
Reprodução: Biblioteca Pessoal
Para Virginia, a mulher só precisa de duas coisas para conseguir escrever uma ficção: um teto todo seu e quinhentas libras por ano. E ela aprofunda seu argumento de maneira brilhante e sincera, expondo a verdadeira situação pela qual toda escritora é obrigada a passar até conseguir o reconhecimento devido apenas pela criação de sua obra, e não críticas ao seu gênero. Embora o livro tenha sido publicado pela primeira vez em 1929, o assunto discutido ainda é muito presente na nossa realidade, fazendo com que a leitora muitas vezes se identifique com o percurso que as mulheres do século XIX tiveram que enfrentar e o machismo disfarçado de críticas negativas, em sua grande maioria vinda de homens, que tiverem que encarar.

Em nenhum momento a autora usa de raiva, palavras baixas ou agressividade para expor seus argumentos e exemplificar o assunto dominado, como acontece na escrita de algumas autoras consideradas clássicas que expõem de forma rude e raivosa sobre o papel da mulher. Fica evidente que a Virginia não se sente bem em como é dividido o papel de cada gênero na sociedade, porém ela não usa esse sentimento para rebaixar o sexo oposto. Pelo contrário, ela não enaltece nenhum dos dois sexos.

A escrita da Virginia Woolf é arrastada e às vezes até cansativa, porém é envolvente e motivadora. Acredito que a leitura lenta seja devido ao assunto, que é falado de forma mais técnica, e porque se originou de palestras, mas não é uma narração que dê vontade de abandonar ou que você sinta vontade de parar de ler a cada minuto. É uma leitura que fará você querer saber mais sobre as escritoras daquele século, se aprofundar no assunto e ter ainda mais informações. Arrisco em dizer que essa leitura tem uma forma didática e que irá lhe ensinar muita coisa. Por isso não ache ruim se você demorar mais de 7 dias para concluir o livro, pois é uma leitura que deve ser desfrutada com o tempo, e não "engolida" às pressas.
"(...) de que quinhentas libras por ano representam o poder da contemplação, de que uma fechadura na porta significa o poder de pensar por si mesma."
A edição
Esta versão da editora Tordesilhas vem com um posfácio escrito pela crítica literária Noemi Jaffe, onde mostra a sua visão e entendimento sobre o livro, algumas partes do diário pessoal da própria Virginia Woolf e uma linha temporal sobre a vida e obras da autora. A diagramação do livro é boa, tendo as letras um tamanho razoável para leitura, as páginas são amareladas e têm um aspecto de jornal. A capa tem um tom forte de rosa e uma imagem que, ao final do livro você perceberá, faz todo o sentido com o conteúdo e a opinião da escritora. A tradução também está muito boa, e nada ficou a desejar. 

Minha opinião
A leitura de Um Teto Todo Seu foi praticamente uma leitura obrigatória para mim no mês de março, pois além de ser o escolhido para a leitura conjunta do meu grupo ele também servirá para a bibliografia do meu TCC, que já estou escrevendo. Então, não poderia terminar março sem ler esta obra. Já havia ouvido muitas críticas positivas, tanto para este livro específico como também para a autora Virginia Woolf, por isso minha curiosidade só aumentava de tempos em tempos. Já vou adiantar que tive uma ótima experiência com esta leitura, e que com toda a certeza será uma obra que gostarei de reler no futuro e que se encaixou perfeitamente no tema do meu artigo (posso falar mais sobre TCC em um post específico, caso vocês queiram).
Por mais que em algumas partes eu não tenha concordado com a visão da Woolf, no geral a leitura foi bastante agradável e satisfatória, trazendo muitas informações que antes eu desconhecia e me abrindo os olhos para outros detalhes. Nesta palestra da escritora lidamos frequentemente com o machismo e a desvalorização da mulher no mercado literário, algo que me incomodou bastante, mesmo sabendo que essa situação ainda é frequente e que era muito pior nos séculos passados.
Creio que a indicação para esta leitura seja livre, e encaixará perfeitamente para aqueles que queiram saber um pouco mais sobre a literatura escrita por mulheres no século XIX, servindo assim como mais conhecimento, e também servirá para quem tem vontade de aventurar-se nas histórias da Virginia Woolf. Sendo o primeiro livro que li da autora, fiquei com ainda mais vontade de conhecer os outros títulos, principalmente para conhecê-la através de seus romances. Seja você mulher ou homem, Um Teto Todo Seu é mais do que obrigatório para a sua vida, indico de olhos fechados este maravilhoso ensaio e espero que você tenha a mesma sensação que eu tive ao final da leitura: de querer ler mais mulheres e admirá-las por quem são.

20 de março de 2017

Resenha: "A Menina Submersa: Memórias" - Caitlín R. Kiernan


Reprodução: Google


A Menina Submersa: Memórias
Autora: Caitlín R. Kiernan
Editora: DarkSide
Ano: 2014
Minha classificação: ★★★ (3/5)
"Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo"
India Morgan Phelps, ou como gosta de ser chamada Imp, apresenta-se aos leitores como louca. Vindo de uma família em que as mulheres são conhecidas por serem loucas e suicidas, Imp sofre de esquizofrenia, assim como a sua mãe e avó sofreram. Neste livro de memórias, a protagonista conta a sua história para nós, deixando claro desde o início que todos os detalhes são verdadeiros, mas que alguns podem não ser necessariamente fatos.

Nesta história sobre fantasmas, pois é assim que Imp a descreve, teremos três personagens tão importantes quanto ela: Abalyn, sua namorada; Eva Canning, uma estranha a quem Imp dá carona em duas ocasiões; e a própria esquizofrenia, a doença que está presente a todo o momento da narração e que tornará a mente da protagonista confusa e às vezes com dificuldade para distinguir o que é real ou não.

Quando Imp estava completando 11 anos, sua mãe a levou para uma visita no museu. Foi nesse dia que ela viu pela primeira vez o quadro A Menina Submersa, uma obra que transmitiu uma sensação única (e um pouco perturbadora) e que ficou na sua mente durante todos os anos posteriores da sua vida. A obra se tornou parte dela, um ponto importantíssimo em sua história e em sua vida, e a assombraria para sempre.

Já com seus vinte e poucos anos, Imp tem paixão pela pintura e cria os seus próprios quadros. Leva uma vida calma dedicando-se apenas ao seu trabalho em uma loja de comércio e aos quadros que adora pintar. Até que um dia conhece Abalyn, e logo um amor entre as duas floresce. Morando juntas, agora elas compartilham uma casa e uma vida, e terão que enfrentar os obstáculos futuros com muita precaução e cuidado para não se perderem.

Embora a vida conjugal esteja indo bem, em uma de suas saídas para clarear a mente Imp encontra Eva Canning, uma garota que está nua de pé na estrada totalmente sozinha, e decide levá-la para casa naquela noite. A partir desse acontecimento tudo ficará confuso e decairá. Imp, com a ajuda de Abalyn, correrá atrás de informações sobre esta garota e como ela poderia estar relacionada a sereias, lobos e fantasmas.
"No fim das contas, todo mundo machuca alguém, por mais que tente não machucar."
Reprodução: Biblioteca Pessoal
Não se preocupem se a resenha ficou um pouco confusa, pois a própria história é narrada dessa maneira. Entramos na mente de uma pessoa com esquizofrenia, e mesmo que isso possa causar certo desconforto em vários momentos acredito que é uma ótima forma de conhecermos um pouco mais sobre a doença e sobre quem sofre dela. Por isso, não se preocupe se houver partes (ou capítulos) em que você fique totalmente confusa e sinta que não está entendendo nada da história, podendo até mesmo ter aquela vontadezinha de desistir da leitura. Por favor, não desista. Persista e vá até o final. Por mais que seja uma leitura cansativa, você verá que valerá a pena.

A escrita da Caitlín é agradável e, como eu disse antes, confusa. A narração foi feita para ser assim, para te colocar na cabeça da personagem e te fazer enxergar como ela pensa, como ela se sente, como a loucura corrói a sua mente. A autora escreveu com maestria todos esses aspectos, e creio que todos os elogios de escrita revolucionária e/ou de destaque fazem jus ao que li. Admito que fiquei curiosa para conhecer outros textos da Caitlín e que pretendo correr atrás disso. Ela é uma escritora que vale muito a pena conhecer e investir em suas histórias.

Durante a narrativa temos muita referência a literatura americana, principalmente a clássicos. A Imp cita Edgar Allan Poe, H. P. LovecraftLewis Carroll e alguns outros. Além de literatura, a música e a arte também são bastante frequentes no enredo.

Reprodução: Biblioteca Pessoal
A edição
Gosto de destacar a edição ou quando ela é extremamente positiva ou nas vezes que são decepcionantes e prejudiciais a leitura. A editora DarkSide já tem um nome conhecido no mercado, principalmente por causa da qualidade das suas edições e o capricho que há com cada livro. Algumas vezes, como aconteceu com A Menina Submersa, a editora lança duas versões da obra: uma mais simples com capa mole e outra com capa dura e um acabamento ainda mais cuidadoso. A minha edição deste livro é a primeira opção, e por mais que a com capa dura seja maravilhosa e tenha as bordas das páginas em tom cor de rosa, admito que me surpreendi com a qualidade da que comprei.
Primeiramente quero dizer que acho essa capa da edição normal linda! Por mais que na maioria das vezes eu não goste de capas que tenham pessoas estampadas, essa me cativou. Até mesmo o material que foi feito a capa e a sensação que sentimos ao tocá-la me deixou muito surpresa e admirada. Isso fez com que entrasse para o meu top de capas preferidas.
Na parte de dentro temos o quadro d'A Menina Submersa e outros detalhes que complementam perfeitamente a história. A diagramação é ótima e segue um padrão nas edições da DarkSide. Um trabalho lindo que não se rebaixa em nada à edição limitada.

Minha opinião
Admito que ainda estou em duvida com esse livro e que não sei se só gostei ou se gostei muito. Ao finalizar a leitura fiquei um tempo parada e pensando sobre tudo aquilo que eu havia lido, e sinceramente até agora eu ainda não sei expressar direitinho a minha opinião e o impacto da obra sob mim. Não é um livro que irá agradar a todos, até porque a maioria das opiniões que eu vi/li foram negativas, mas é uma leitura que você deve ir de cabeça aberta, sem muitas expectativas e deixar-se surpreender.
A narração lenta e cansativa causa um grande impacto negativo nos leitores, e os momentos confusos também. Conversando com algumas colegas, pois este livro foi o escolhido para a leitura conjunta de fevereiro (mesmo eu só tendo lido em março), percebi que fui a única que levou para si uma experiência positiva com a leitura, e isso me dá um pouco de receio em fazer uma resenha elogiando e ao mesmo tempo "alfinetando" a obra.
Por causa dessas opiniões negativas acabei me surpreendendo com a história e no final eu gostei de toda a trama que eu havia lido. Não foi uma leitura que entrou para os favoritos, mas é um livro que pretendo reler no futuro e, quem sabe, tirar novas conclusões. Muitas vezes durante a narração me senti confusa e não sabia se era realmente a Imp que estava narrando, e ao decorrer do livro inventei na minha cabeça várias deduções e teorias sobre as personagens, principalmente sobre a Eva. Tendo em conta que a Imp fala sobre fantasmas, sereias e até lobos, em muitos momentos da narrativa eu imaginei que ela estivesse falando de forma real, e não fictícia. E a cada teoria que vinha na minha mente, o capítulo seguinte com alguma informação bombástica derrubava a minha imaginação, e creio que foi isto que me deixou mais conectada e animada com a leitura, essa sensação de ser enganada pela narradora. 
É um suspense com um toque sobrenatural que se mesclam muito bem. Não indicaria essa leitura para qualquer público, mas como é uma obra que divide opiniões sugiro que caso você tenha ficado interessado através desta ou outras resenhas procure o livro e dê um chance a ele. Poderá ser uma leitura fraca, como também poderá se tornar a melhor leitura do seu ano ou até da sua vida. Por isso, deixo nas suas mãos decidir a própria opinião sobre a obra e a narrativa peculiar da autora. 
"(...) Olhei para os meus dedos, me perguntando o que mais eu poderia machucar apenas com meu toque, imaginando se os ácidos e óleos pingando da minha pele haviam causado todo tipo de coisa sem o meu conhecimento."

17 de março de 2017

Dica de filme em dobro: As Sufragistas e She's Beautiful When She's Angry


Reprodução: Biblioteca Pessoal
Olá leitores!
Vocês já ouviram falar no Movimento Sufragista e no Feminismo? As indicações de hoje são justamente para conhecerem melhor ambos os movimentos, e ainda por cima conhecerem também um pouco mais sobre a importância das mulheres na história. Sendo os dois baseados em fatos, somos apresentados a realidade, tanto do passado como também da atualidade, do preconceito e desvalorização da mulher apenas por ser mulher. Acompanhamos suas lutas por liberdade e igualdade, percebendo o quanto os dois movimentos são importante para a nossa (r)evolução.

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"No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios."
As Sufragistas (Sufragette) foi dirigido por Sarah Gavron e lançado em 2015. Com um elenco "de peso", contamos com as atuações incríveis de Meryl Streep, Carey Mulligan, Helena Bonham Carter, Anne-Marie Duff, entre outros.
Além do destaque especial que o elenco merece receber, a história não fica em nenhum momento para trás. Através de uma história baseada em fatos, o filme irá nos mostrar como as mulheres eram tratadas no século XX (que acredite, não chega a ser tão diferente de como somos tratadas atualmente) e como foi a luta desse grupo atrás de igualdade e liberdade. Dá para observar que ali, naquele momento, temos o surgimento do movimento feminista, um movimento onde as mulheres lutam pela igualdade entre gêneros. Entretanto, não é só essa visão que o filme mostrará, mas também retratará a ação dos homens e da sociedade ao se depararem com esse "tipo" de mulheres, aquele tipo que vai para rua reivindicar por seus direitos e batalhar também por aquelas que tem medo e sem prendem dentro de casa.
Ao assistir esse filme você aprenderá muito sobre a história das mulheres e o seu papel na sociedade que era imposto pelos homens. Você conhecerá com mais detalhes sobre o movimento sufragista, e com toda certeza se sentirá mais curiosa para procurar outros relatos e se sentirá motivada pelas personagens. Um fato muito importante e que o filme expõe, sem nenhum tipo de censura ou corte, é o momento exato em que a sociedade percebe o quanto estava errada em se opor a luta feminista e que foi preciso uma morte para poderem abrirem os olhos.
Aproveito para deixar aqui uma resenha sobre o filme que capta a essência dessa obra: para ler basta clicar aqui.

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"She’s Beautiful When She’s Angry" conta a história das mulheres que criaram o movimento feminista nos anos 1960, fazendo uma revolução em todos os âmbitos sociais."
She’s Beautiful When She’s Angry é um documentário dirigido por Mary Dore e lançado em 2014, que falará sobre o movimento feminista nos EUA durante 1966 à 1971. Durante o documentário somos apresentados aos relatos de feministas que tiveram grande participação e importância no começo desse movimento. 
Para quem quer conhecer melhor e saber mais sobre o feminismo, esse é um documentário que você precisa assistir! Cheguei até ele por causa de um trabalho que fiz para a faculdade e falei exclusivamente sobre o movimento feminista, e admito que ele me ajudou bastante. Por mais que ele foque no início dessa luta, é sempre importante conhecermos os seus objetivos e motivações, como começou e o motivo para essa partida. Além disso, também ficamos sabendo como era a aceitação de pessoas negras e homossexuais nesse grupo, que no começo reagiam até mesmo com um tipo de preconceito para cima delas, logo um grupo que deveria ser baseado em aceitação e igualdade. Também é legal observarmos o quanto esse movimento pode ter mudado e evoluído até os dias de hoje, sendo importante esse panorama de comparação.
Se você ainda não se sente convencido a tirar um tempo do seu tempo e conferir o documentário, que aliás está disponível no catálogo da Netflix, aqui vai um artigo com mais 9 motivos para você assistir.
Separei esses dois filmes especialmente para vocês aprenderem mais sobre o movimento sufragista e o feminista, mas também para conhecerem um pouco mais sobre a história da mulher e a importância da sua luta. Se hoje nós já podemos votar ou trabalhar fora de casa, é graças à essas mulheres que foram para as ruas reivindicarem pelos nossos direitos e morreram em busca de um futuro melhor para todas nós. Sei que ainda não temos o bastante e que ainda precisamos lutar por muitas outras coisas, que o machismo ainda é muito presente na sociedade e é visto como "normal", e sei também que ainda não somos valorizadas por sermos mulheres, pois somos muitas vezes julgadas negativamente por termos nascido assim, porém eu acredito que podemos mudar essa visão de mundo e deixar um espaço melhor de se viver para nossas pequenas, e é por isso que hoje eu afirmo que sou feminista e que sou totalmente a favor dessa luta.
Espero que vocês tenham gostado das indicações e que tenham a oportunidade de conferi-las e, assim como eu, adorá-las. Se alguém tiver outra indicação de filmes ou documentários relacionados a esse assunto eu adoraria saber, então, sintam-se a vontade para indicar e comentar sua opinião. Só por favor não venham com comentários destrutivos ou ofensivos. Um beijo e até a próxima.

15 de março de 2017

Resenha: "Zylgor I - A Princesa das Águas" - Lu Evans


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Zylgor I - A Princesa das Águas
Autora: Lu Evans
Publicação independente
Ano: 2014
Minha classificação: ★★★★ (4/5)
* E-book cedido pela autora
** 1º livro de uma trilogia
"Não tema nada. Saiba que forças sobrenaturais com as quais nunca sonhou estarão ao seu lado. Você foi predestinado para grandes feitos e a história que vai viver nunca será esquecida."
Cã é um garoto órfão de 15 anos que, misteriosamente, acorda em um lugar muito diferente do qual conhece. Ele percebe que o lugar é feito totalmente e somente de tons azuis: as árvores, os animais e até mesmo três criaturinhas que abordam-o. Esses pequenos gnomos são Mu, o sábio; Vu, o guerreiro; e Zu, o pacífico, e explicam para Cã que ele encontra-se no Bosque Sereno, o lar dos gnomos, um território das Terras Aquecidas do planeta Zylgor. 

Mesmo estando muito confuso, o garoto vai lembrando aos poucos como chegou naquele lugar e quais foram os seus últimos passos na noite passada quando ainda estava na Terra. Compartilhando a história com os gnomos, que por sinal ficam muito empolgados, ele percebe que em seu bolso veio uma caixa pequena e brilhosa, mas ainda não entende qual é motivo de ter sido enviado para este mundo e o porquê daquela caixinha ser tão valiosa para quem está indo entregar.

Para chegar até essa pessoa misteriosa, mesmo não conhecendo as reais intenções daqueles gnomos, Cã confia nos três e é guiado até o local do encontro. Antes de chegarem ao seu destino, o grupo é atacado na floresta por sombras, porém mesmo sem saber como, o garoto com a ajuda da caixa misteriosa e brilhante reverte a situação e salva os gnomos dos seres malignos.

Depois de chegarem na moradia dos gnomos, por causa de uma ação desconfortável da parte do garoto há um conflito durante o encontro entre Cã e uma garota chamada Lílat, que mais para frente é revelada ser a princesa escondida de Zylgor. Por causa desse momento de surto, o garoto abre a caixa misteriosa e é, automaticamente, ligado ao objeto brilhante que há dentro. 

Agora além de Cã ser o guardião do cristal terra, enquanto a princesa é a guardiã dos outros três (água, ar e fogo), é revelado que há um grande mal rondando aquele mundo: um vilão chamado Daimos está sob posse do trono e, com o auxílio do poder do anel que roubou da matriarca e usando-o como magia negra, está controlando todos os povos de Zylgor. Para combate-lo e trazer a rainha de volta para a sua terra a princesa Lílat precisará da ajuda do garoto, porém basta saber se ele sacrificará a sua vida por um planeta desconhecido e se conseguirá voltar para a o seu.
"Pensava sobre ter de enfrentar alguém que nunca tinha visto na vida e nem tinha feito qualquer coisa contra ele. Pensava em arriscar a própria vida por uma causa que não era sua. Se entrasse na aventura, talvez morresse. Se não se submetesse ao perigo, ficaria preso em Zylgor para sempre."
Reprodução: Biblioteca Pessoal
Ao meu ver, o livro se trata de um infanto-juvenil e uma ótima maneira desse público conhecer o gênero de fantasia e apaixonar-se. A autora criou um mundo próprio para contar as suas histórias, um mundo belo recheado de diversidade de raças, com seus conflitos e política próprios. Em várias partes eu desejei conhecer Zylgor pessoalmente e me aventurar por seus bosques. Tanto a maneira como a Lu criou este mundo como também a sua forma de escrever me lembrou em muitos momentos o Tolkien em O Hobbit, e isso é extremamente positivo, afinal não estou comparando-os, mas sim mostrando que há uma "pitada" do mestre da fantasia neste livro nacional. Aproveitando que fiz essa relação, já adianto que você encontrará muitos tipos diferentes de personagens e se encantará (ou não) por cada um deles, como: gnomos, lobos, ciclopes, ninfas, fadinhas, piratas, e muitos outros. Não podendo esquecer das músicas que aparecem em diversas partes e encaixam-se perfeitamente no enredo.

A escrita da Lu Evans é maravilhosa de ser apreciada. Utilizando de uma linguagem formal, mas simples, ela nos envolve completamente na história e nos torna um de seus personagens. Por mais que eu tenha me sentido empacada no começo, logo quando começa a aventura de Cã ao lado dos três gnomos e da princesa a leitura deslancha e flui rápido. Tinha momentos em que não queria desgrudar do livro e só gostaria de ficar lendo por horas e horas até chegar ao final da aventura e descobrir o destino daqueles personagens que me apeguei tanto.

Minha opinião
Essa leitura foi uma grande surpresa para mim, e claro, positiva. Este deve ter sido o terceiro livro de fantasia que li em toda a minha vida, e admito que nenhum dos três me decepcionaram. A escrita da Lu é tão cativante e flui tão rápido que quando você menos espera já está no finalzinho do livro e querendo loucamente a continuação para ler. Aliás, pretendo ler o segundo ainda nos próximos meses, aproveitando que o terceiro sairá ainda nesse mês.
Os personagens são adoráveis, até mesmo aqueles que têm uma participação mais rápida. Você acaba se apegando ao grupo e querendo ser um deles. Porém, algo que me incomodou foram as brigas entre o Cã e a Lílat. Um não podia olhar para o outro que já começavam a discutir. Por mais que a faixa etária dos dois seja de 15/16 anos, não acredito que ambos fossem tão infantis a ponto de brigarem tanto, ainda mais por Cã ser descrito como "avançado" para a sua idade. A Lílat, mesmo sendo uma personagem feminina forte e empoderada, muitas vezes me tirava do sério. A infantilidade e implicância da personagem passava dos limites, me deixando cansada da leitura e da própria personagem. No final há uma reviravolta entre os personagens, mas fica claro que há um clima de romance entre os dois desde o começo, então por que diabos agir assim? Tentei levar pelo lado deles serem adolescentes e ser comum atitudes assim, mas admito que às vezes isso atrapalhava a minha leitura.
No geral foi uma ótima experiência de leitura e aproveitei bastante cada parte da história. Sendo a segunda fantasia nacional que eu leio, fico orgulhosa em conhecer mundos extraordinários feitos por autores nacionais. E fico mais orgulhosa ainda por me encantar por esses universos e ter o prazer de indicá-los para vocês. Como uma admiradora da literatura nacional, deixo Zylgor I - A Princesa das Águas como indicação para todos os leitores que adoram fantasia e querem explorar um novo mundo.
Para quem tem Kindle Unlimited, aproveitem que está de graça e entrem nessa nova aventura!
"Às vezes devemos deixar nossos desejos guiarem nossas ações, outras vezes, a mente deve dirigir nossos passos. A questão é saber o que escutar e em que momento."

13 de março de 2017

#12mesesdePoe: Os Fatos do Caso do Senhor Valdemar + A Adormecida


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Os Fatos do Caso do Senhor Valdemar 
Minha classificação: ★★★★ (4/5)

A Adormecida
Minha classificação: ★★★ (3/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto: Os Fatos do Caso do Senhor Valdemar
O senhor Valdemar é um homem de idade avançada e muito debilitado por causa do estado precário de sua doença. Além de sentir dores intensas, ele está à beira da morte com poucos dias restantes de vida. O nosso narrador-personagem, que não nos revela o seu nome, sugere ao velho uma forma de aliviar aquela dor e que, ao mesmo tempo, irá ajudá-lo em uma experiência profissional: ele propõe ao doente deixá-lo em transe através do mesmerismo, uma técnica de hipnotismo que pretende retardar a morte.
O narrador confessa ao colega que nunca fez esta prática em pessoas que estivessem nesse estágio de enfermidade, tão perto da morte, não sabendo assim quais seriam os resultados de tal efeito. O senhor Valdemar sente-se muito curioso com a proposta, e acaba por não resistir a ela, afinal, qualquer coisa seria menos doloroso do que continuar nesse estado. Quando resta apenas 24 horas de vida ao moribundo, o narrador vai imediatamente ao seu encontro para começar o experimento.
A prática acaba sendo um sucesso e mantém o senhor Valdemar hipnotizado por sete meses. Embora o velho consiga, com dificuldade, responder as perguntas do colega, mesmo de uma maneira aterrorizante e mórbida, há algo de estranho nessa situação, algo que acaba por amedrontar o narrador e todos que estão na presença do doente, principalmente o fim que leva o velho.

Caso você tenha participado do projeto no ano passado, essa temática poderá lhe trazer lembranças. No conto Revelação Mesmeriana há um acontecimento semelhante e que também envolve o mesmerismo. Vale a pena conferir os dois e tirar a sua conclusão de cada um. 

Poema: A Adormecida
Neste poema o narrador dividirá conosco sobre a perda da mulher amada, supostamente chamada Irene. Toda a tristeza, dor e agonia que esta perda traz. Os versos são compostos por melancolia e alusão à beleza da amada. Porém, o principal está na indecisão e curiosidade por saber para onde a mulher teria ido depois da morte, se estaria em um lugar tão belo quanto ela e se teria seguido a luz.
Percebemos um grande sentimento de perda a cada estrofe que lemos. Há uma atmosfera melancólica durante toda a leitura, mas tudo isso de uma forma extremamente bonita e tocante. O narrador consegue transformar a dor que está sentindo em algo majestoso, e suas palavras acabam por encantar o leitor, que vai sentindo internamente a sua perda. Até arriscaria em dizer que há muito da perda de Virginia, esposa do Poe, naquelas palavras, porém em outra resenha soube que ele escreveu antes de casar-se, então, fica aquela dúvida se há outro alguém por trás do poema ou se a perda já era um sentimento constante e de indagações na vida do autor.
"Que a dama possa repousar,
Seu sono o céu a vigiar
E profundo venha a ficar!"
Minha opinião
Sobre o conto:
Ao contrário da minha experiência com a leitura de Revelação Mesmeriana, o conto do mês de fevereiro me prendeu bastante e tirou de mim uma opinião positiva. A escrita do Poe nesta história é recheada de descrições e, arrisco até em dizer, de gore. Alguns momentos considerados até mesmo como grotescos. Esta forma de descrição me agradou e logo me senti imersa na leitura. Admito que no começo foi difícil, e quando percebi a semelhança com o outro conto lido no ano passado um desânimo me abateu. Mas, de acordo com o avanço da leitura percebi que aquela história me agradaria muito mais.
Ter a morte, o grotesco e descrições de decomposição na visão do Edgar Allan Poe foi maravilhoso. E o final conseguiu me deixar agoniada, ao mesmo tempo que me senti encantada. Um conto que gostarei de reler várias vezes no futuro.

Sobre o poema:
Já adianto que estou adorando conhecer a linguagem e escrita do Poe através de poemas. É apaixonante! O jeito que o autor produz os seus poemas de forma tão bela e tocante só faz eu querer ler mais e mais. Por mais que eu não seja uma admiradora de poemas e poesias, estou gostando muito de ter esse contato através de um autor que eu admiro tanto e que me encanta a cada história. Senti um ar muito grande de perda nesta leitura escolhida para fevereiro, e acabei sentindo a dor do narrador.
A descrição é tão perfeita que faz com que o leitor se ponha no lugar do narrador, sinta a sua perda e fique triste junto com ele. Acredito que a beleza da leitura está justamente nisso: sentir-se íntimo do personagem e em sua própria pele.

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